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Cardiopatia

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Há seis anos, o Chico passava pela cirurgia de correção da Tetralogia de Fallot

Por conta dos defeitos cardíacos, aos quatro meses ele fez a cirurgia de correção

Hoje comemoro o renascimento do Chico. Há seis anos ele fazia a cirurgia de correção no coração. Ele é um cardiopata corrigido. Escrevo com muita emoção e alegria, sentimentos de uma mãe orgulhosa, que hoje vê tudo o que o filho passou e comemora suas vitórias. A cirurgia foi uma nova etapa em nossas vidas.

O Chico, tão pequeno, já mostrou a sua força e nos ensinou mais uma vez o que importa nesta vida. Ele nasceu com a Tretalogia de Fallot. Uma condição rara causada por uma combinação de quatro defeitos cardíacos presentes no nascimento. Em pessoas com síndrome de Down a Tretalogia costuma ser mais comum.


Aos quatro meses ele fez o procedimento de correção. Foram seis horas de cirurgia, ele operou com 5,900 kg. Eu desci com ele para centro cirúrgico às 8h da manhã. Quando foi às 13h30 ele estava saindo. Ele não precisou trocar a válvula do coração. Isso foi muito bom, porque é bem provável que não tenha que passar por uma uma nova cirurgia na adolescência, que é a fase onde o jovem dá um estirão e o coração também cresce.


Depois da cirurgia ele ficou quatro dias na UTI, depois foi para o quarto. Com oito dias após ter passado pelo procedimento, ele veio para casa só com o diorético para desinchar. Desde que veio do hospital nunca precisou tomar medicamento pós-cirúrgico. Durante os primeiros seis meses o Check-up era mensal. Depois passava a cada quatro meses, que diminuiu para seis meses. Hoje ele já está passando anualmente, para fazer o eco e o eletrocardiograma, a fim de monitorar a parte cardiológica. Ele está estabilizado e muito bem.


No início, a previsão para vir para casa era de 20 dias, ele veio com oito. Isso é um feito emocionante. No pós-cirurgia, 24 horas depois que foi desentubado, ele já mamou no peito. Sua recuperação foi muito rápida. Ele estava exatamente com quatro meses. Não teve nenhuma intercorrência.


A cirurgia é bem invasiva. Abriu o peito, mas tudo seguiu muito bem.
Na sala, estavam dois cirurgiões, um clínico cardiologista, dois anestesistas e mais dois profissionais. Era uma equipe com umas setes pessoas. Nas primeiras 24 horas não dormimos com ele, porque a equipe do Dr. José Pedro fica o tempo todo acompanhando. Mas no dia seguinte fiquei o tempo todo ao seu lado.

Foram momentos de muitas emoções, graças a Deus deu tudo certo! Hoje, depois de seis anos, cantamos parabéns ao Chico. Celebramos sua vida, sua saúde, sua vitória!

Cinco anos da cirurgia do Chico

Sempre digo que o nascimento do Chico mudou a minha vida, do pai e de toda a nossa família. Hoje celebramos uma data muito especial. Na época foram muitas as incertezas e dúvidas, mas sempre acreditamos. Após cinco anos comemoramos a saúde do nosso filho. Quando ele tinha apenas quatro meses, nesta mesma data, passou por uma cirurgia para corrigir a cardiopatia e essa foi a primeira etapa dessa vida cheia de descobertas.

Foi graças ao Chico, que passei a dedicar-me em mudar as vidas de outras famílias. Apoiando, levando informações e mostrando que a pessoa com síndrome de Down pode ser o que ela quiser, dentro do seu próprio tempo.

Cardiopatia e a Síndrome de Down

Segundo o Guia do bebê com síndrome de Down, escrito pelo Dr. Zan Mustacchi, cerca da metade das crianças nascidas com síndrome de Down apresentam alguma complicação no coração ao nascer. São más-formações estruturais, que ocorrem nos três primeiros meses da gravidez e nem sempre são detectadas pelo ultrassom.

Apenas o ecocardiograma fetal bimensional com Doppler acoresor (ECO) pode determinar com exatidão a existência de um problema cardíaco. Na décima segunda semana de gestação é possível medir a translucência nucal através de um exame de ultrassom. Quando as medidas são maiores que 3 mm caracterizam algum problema congênito e, nesse caso, normalmente é recomendado um cariótipo (exame genético) e a realização do ECO fetal.

Tetralogia de Fallot

No caso do Chico, a cardiopatia era congênita cianogênica de hiperfluxo pulmonar (Tetralogia de Fallot). Os sintomas mais recorrentes são as crises de cianose (arroxeamento da pele). Esses desencadeados principalmente pelo esforço físico, nos casos de anemia, nos processos febris e nos casos de desidratação.

Neste caso não pode haver restrição no consumo de líquidos. É importante que a criança portadora de T4F esteja sempre bem hidratada e tenha sempre oferta de líquidos, porque a cardiopatia dificulta o fluxo de sangue para o pulmão e é preciso aumentá-lo.

Cirugia

A Tetralogia de Fallot só pode ser corrigida por meio de cirurgia. Normalmente é aguardada a idade de 6 a 12 meses para realizá-la, sendo feita a correção total do defeito.

Nos casos em que há muita crise de cianose com risco de morte, a cirurgia pode ser feita antes disso e a operação é paliativa, chama-se Blalock-Taussig modificado – coloca-se um tubo ligando a artéria aorta à pulmonar, possibilitando maior fluxo sanguíneo para o pulmão. Quando a criança estiver mais velha, é feita a cirurgia para a correção total.

Fonte: Guia do bebê com síndrome de Down, escrito pelo Dr. Zan Mustacchi e Movimento Down