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Dia do fonoaudiólogo

Profissionais fundamentais para estimular o desenvolvimento cognitivo e a linguagem

Hoje, dia 9 de dezembro, é uma data especial para nós. Celebramos o trabalho do fonoaudiólogo e homenageamos as crianças com deficiência. Eu, como mãe de uma criança com síndrome de Down, posso dizer o quanto sou grata às fonoaudiólogas, pois elas são fundamentais no desenvolvimento do Chico.

Ele passa com três fonoaudiólogas: a Angela Carvalho, a Valéria Mondin e a Maria Paula. Elas fazem um trabalho conjunto, um completa o outro. Ainda, na escola, tem a professora Carolina Werneck, que também é fonoaudióloga. O trabalho de cada uma foi fundamental para linguagem oral e escrita.

Neste final de semana o Chico formou-se na educação infantil. No próximo ano entrará no processo de alfabetização. Ele já escreve o próprio nome e isso foi uma grande conquista. A elas só posso agradecer por toda a dedicação e trabalho. Essas profissionais foram fundamentais para estimular o desenvolvimento cognitivo e a linguagem do Chicão.

Hoje apresentamos a Valéria, uma dessas profissionais tão importantes nas nossas vidas. Ela é fonoaudióloga clínica no Cepec:

“Sou a Valéria Mondin Alabarse dos Santos, fiz graduação em Fonoaudiologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), onde tudo começou, pois naquela época precisávamos escolher a área de interesse e optei pelo atendimento de pessoas com síndromes e alterações neuromotoras. Dando continuidade aos estudos, fiz o mestrado em Ciências, também pela FMUSP,  especialização em síndrome de Down pelo CEPEC e UNAES e, atualmente, cursando Psicopedagogia Educacional pela FMU”, contou.

Chico e Suas Marias: Gostaria que falasse sobre o seu trabalho com crianças com síndrome deficiências.

Valéria: Ao longo dos anos, busquei compreender como as crianças com déficit intelectual aprendem; como se dá esse processo; quais aspectos estão envolvidos; como funciona o sistema atencional, a memória, a linguagem, pois esses são elementos relevantes quando queremos que eles aprendam algo. A importância das vivências e experiências, para que a aprendizagem se consolide. Refiro-me à aprendizagem linguística-cognitiva, fala e comportamento, ou seja, qualquer forma de conhecimento, ligado à fonoaudiologia, que o indivíduo necessita. A criança precisa vivenciar os conteúdos propostos e precisamos considerar não só suas dificuldades, mas suas habilidades também. A comunicação é o nosso grande objetivo e comunicar vai além do falar. É permitir e viabilizar que as crianças expressem seus desejos e necessidades da maneira que for possível: gestos, mímicas e expressões faciais, fala, escrita e comportamento. Para isso, será importante o trabalho desde o nascimento, com orientações à família e intervenções com as crianças, explorando além do desenvolvimento da linguagem e cognição, as funções e estruturas ligadas à sucção, mastigação, deglutição e respiração, adequando-as, quando necessário; estimulando as posturas de língua e lábios, pois estes aspectos terão reflexos na fala dos indivíduos. A alimentação será orientada e estimulada durante o aleitamento, nas mudanças de alimentos e consistências e nos tipos de utensílios que devem ser utilizados em cada fase da criança. Na idade escolar, a linguagem escrita será estimulada pelo fonoaudiólogo, auxiliando o processo de alfabetização, quando iniciado na escola. O acompanhamento da audição e visão também faz parte do trabalho, já que esses aspectos são importantes quando pensamos nas aquisições que a criança precisará fazer. 

 Chico e Suas Marias: Hoje você atua mais com síndrome de Down?

Valéria: A maioria das crianças que atendo tem T21 (trissomia do 21), como nos referimos à síndrome. Mas, atendo outras síndromes também. Como disse, na graduação fiz a escolha de trabalhar na área. Não tive como motivação alguém próximo com T21, mas considero meu olhar importante, pois já temos as famílias com o olhar de quem tem alguém próximo, então, nos complementamos. 

Chico e Suas Marias: Você já atende o Chico há um tempo. Como é essa relação com ele, a percepção do quanto ele está se desenvolvendo?

Valéria: O Francisco é atendido por uma colega no Cepec faz tempo, a Fga. Angela Carvalho. Entrei para que ele tivesse mais um dia de atendimento e temos formado um time bem legal, juntamente com a Terapeuta Ocupacional e outra colega audiologista que tem trabalhado o processamento de fala em cabine acústica. 

Chico e Suas Marias: Você costuma usar muitas coisas criativas, entre elas histórias. Inclusive o Chico costuma comentar em casa depois. Como são esses preparos das atividades, desde objetos, sensações, até leituras? 

Valéria: Partimos do interesse da criança, dos assuntos que a motiva, como por exemplo, dos livros que o Chico leva para os atendimentos. Trabalhar com conteúdos que a criança gosta e vivencia fará com que ela fique motivada, permanecendo mais tempo nas propostas, estimulando a atenção e memória. Isso é a aprendizagem significativa, em que os conceitos são mais facilmente consolidados por conta do interesse da criança.

Chico e Suas Marias: Pode falar sobre como são os trabalhos de série e contagem? E sobre as frases, palavras e associação das imagens?

Valéria: Muitas vezes as pessoas esquecem que alfabetização não é só das letras, mas numérica também. Por isso, reforçamos os conceitos matemáticos durante as brincadeiras com o Chico. Por exemplo, quando damos uma comida para cada animal, quando contamos os carros, brincamos com os dados e as configurações numéricas deles, ou quando fazemos pipoca e brincamos de somar, subtrair, dividir, entre outros. Partimos da ideia de que a matemática faz parte do cotidiano da criança, que deve ser incentivada à perceber a presença dela (nos preços das coisas, na placa do carro, no número do telefone, no elevador…). 

O uso das imagens é fundamental nas crianças com T21. Elas ajudam a reforçar o que foi ensinado e devem ser usadas na aprendizagem dos sons (fonemas), das palavras e na construção das frases. Muitas vezes, montamos “pranchas temáticas” usando palavras e imagens, incentivando a leitura. A estrutura de frase também deve ser reforçada através das imagens, ou seja, ensinar a criança a construir frases, com os elementos que a compõem, como por exemplo, as preposições, usando a escrita e figuras. 

Chico e Suas Marias: E como alinham o trabalho da escola com as sessões?

Valéria: Realizamos, pelo menos duas vezes no ano, reuniões com a equipe de terapeutas e da escola. Durante o ano, mantemos um caderno de comunicação com trocas de informações, conteúdos e orientações. Assim, mantemos uma certa constância nos contatos e fazemos trocas importantes para que todas nós possamos reforçar os conteúdos trabalhados. A repetição dos conteúdos, com mudança de materiais, permitirá a consolidação mais rápida dos conceitos envolvidos. 

Chico e Suas Marias: O Chico tem um caderninho e a comunicação é muito utilizada. Pode falar sobre a importância dessa conexão entre família e terapeutas?

Valéria: A tríade terapeutas, escola e família é fundamental justamente pelo fato de que todos estarão reforçando os mesmos conteúdos. Além disso, saber sobre o que o Chico está estudando na escola facilitará nossa comunicação, já que “saberemos” a respeito do que ele poderá falar, comunicando-se de maneira mais efetiva. Para nós fonoaudiólogos trata-se de conhecer o repertório que a criança vivencia, estimulando aquilo que de fato ela precisará comunicar.

Chico e Suas Marias: Sempre vemos aqueles vídeos que você orienta sobre linha fina, linha reta e etc. Pode falar sobre esse trabalho?

Valéria: Na verdade, uso as referências que citou (linha grande, linha pequena, curva grande e curva pequena) de acordo com o trabalho de alfabetização realizado na clínica, fundamentado no LWT, trazido por uma de nossas terapeutas ocupacionais, usado para dar pistas do traçado das letras em maiúscula. A ideia é que todos os envolvidos na alfabetização utilizem as mesmas referências, inclusive a escola e a família, facilitando a memória da imagem das letras, durante a escrita. Como estratégia na fono, uso o LWT para que a criança escreva a letra e faça a relação grafema-fonema, ou seja, perceba os sons das letras.

Chico e Suas Marias: Por fim, deixe uma mensagem.

Queria aproveitar para parabenizar todas as colegas fonoaudiólogas pelo nosso dia. Toda luta que temos para divulgarmos nosso trabalho que é sério e pautado em ciência! – Valéria Mondin

Um dia de consultas gratuitas com a Dra. Patrícia Salmona

A parceria da ONG Down é Up com a pediatra e geneticista disponibilizou atendimentos gratuitos para cinco famílias

Na última quarta-feira (22), em parceria com a Dra. Patrícia Salmona, pediatra e geneticista, foram realizados cinco atendimentos gratuitos para pacientes com síndrome de Down e suas famílias, no Centro de Estudos e Pesquisas Clínicas de São Paulo (CEPEC).

A médica cedeu esses horários para conhecer as famílias, levar informação, tirar dúvidas, ver o estado de saúde e, se possível, tentar encaminhar para outros atendimentos em locais que disponibilizam vagas gratuitas.

Entre as famílias atendidas, quatro eram de crianças e uma de um adulto. A primeira atendida foi a Bela, de dois anos e oito meses. A família da menina saiu de Guarulhos para ir até a clínica, que fica no Morumbi. Entre as principais dúvidas da mãe, Andrea, foi citada rapidamente a alimentação e depois o desenvolvimento da criança.

A pequena Sarah, que completa dois meses no dia 28, foi a segunda atendida. A mãe, Pricila, foi acompanhada da tia, Camila. Elas saíram de Franco da Rocha para a consulta. A mãe descobriu que a filha tinha síndrome de Down apenas quando ela nasceu. Por ter sido uma surpresa, ela não teve como buscar informações e disse que a consulta seria ótima para esclarecer dúvidas sobre quando a bebê irá andar, falar, quais cuidados ter, como será o acompanhamento e como será a alimentação.

Pricila e a irmã, Camila segurando a Sarah

Caçulinha entre os atendidos, o Samuel que completa seu primeiro mês no dia 30, foi diagnosticado com síndrome de Down ainda na barriga da mãe, Daiana. Ela e o marido já são pais de uma menina. O bebê tem cardiopatia e deve passar por cirurgia quando ganhar mais peso, próximo de seus seis meses de idade. Os pais estavam com bastante dúvidas em relação aos estímulos, eles queriam entender como fazer e quando começar. As dúvidas em relação a cardiopatia e alimentação também foram citadas.

O pai e a mãe do Samuel

O Bernardo, de oito meses, foi o terceiro atendido. Os pais já têm outros filhos, e vieram de Pirassununga- interior de São Paulo-, para o filho passar por consulta. As dúvidas da mãe, Bruna, eram desde coisas mais simples como a fala e o engatinhar até questões como o desenvolvimento, a alimentação e a imunidade.

Os pais do Bernardo

O último atendimento foi ao senhor José Luís, de 52 anos. Ele foi acompanhado da mãe, a dona Amélia de 94 anos e de sua cuidadora. A família trouxe uma nova questão, o envelhecimento. Segundo a mãe, ele tem apresentado o Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). As noites mal dormidas também têm sido parte da preocupação.

A família do José Luís

Ao final de cada consulta perguntei a cada família como foi e quais seriam os próximos passos. Todas ficaram muito felizes e satisfeitas. Elas receberam orientações, indicações de atendimento e tratamento, dicas de como lidar e muitas dúvidas foram sanadas.

Aqui fica o nosso agradecimento à Dra. Patrícia, que dedicou um dia inteiro de sua agenda aos atendimentos gratuitos. Essa ação foi pensada e realizada com muita alegria e satisfação. 

Maria Vitoria foi a grande vencedora do concurso Miss Baby Destaque RS, em Blumenau (SC)

Na última semana, Maria Vitoria dos Santos Mostardeiro, de apenas dois anos e sete meses ganhou destaque nos jornais e sites de todo o País. A pequena venceu um concurso de beleza realizado no final do mês de março, em Blumenau (SC), que repercutiu na semana passada. Maria tem síndrome de Down e disputou a faixa de Miss Baby Destaque RS com crianças sem nenhuma deficiência, o concurso abrangeu categorias com diversas idades.

Moradora de Cidreira, no litoral norte do Rio Grande do Sul, sua mãe, Tatiane da Silveira dos Santos, 34 anos, além de grande incentivadora, é também que vem lutando contra o preconceito e pela conscientização da população a respeito do potencial das pessoas com síndrome de Down.

Com o título, a pequena poderá participar do evento nacional, o Miss Baby Brasil, que está previsto para acontecer no mês de setembro, em São Paulo. A mãe, que não tem recursos para custear a viagem, já estuda falar com o prefeito da cidade e procurar outras formas de arrecadar o valor. Para ela, as conquistas da filha podem ajudar a levar conhecimento sobre a síndrome de Down à população.

 “Quero mostrar que as crianças com síndrome de Down também têm capacidade para realizar sonhos. Os pais têm que ter força de vontade para estimulá-las. Elas podem se desenvolver bem, podem fazer tudo que uma criança normal faz”, afirmou a mãe na entrevista cedida a revista Versar.

Outro esforço de Tatiane foi reunir-se com prefeitura da cidade para tentar abrir uma unidade da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) na cidade. Para tirar o projeto do papel várias ações já estão previstas.

Fonte: Revista Versar e revista Pais&Filhos

Foto: Arquivo pessoal/ Reprodução