Queridos leitores este post tem o relato da magia da quiropraxia nas nossa vida e na do Chico. É um artigo científico do profissional Rafael, ele  é bacharel em Quiropraxia pela Laureate International – Universidade Anhembi Morumbi. Vem se dedicando à profissão não apenas clinicamente, mas também na estruturação de cultura desde que foi presidente e conselheiro do centro acadêmico e idealizador de diversos projetos educacionais. Atualmente, além do atendimento de Quiropraxia, cursa uma segunda graduação em ciências sociais para embasar suas pesquisas da relação entre saúde/bem-estar e a neurociência do comportamento e aprendizagem.

Quando o Chico tinha 6 meses,  sofria muito com prisão de ventre e eu como mãe de primeira viagem aliviava o sofrimento dele com massagens na barriguinha, chá de água de ameixa e gotinhas de camomila na mamadeira. Mas nada era tão eficaz até que um dia,  levei ele na minha sessão quinzenal de quiropraxia e o Rafa (como carinhosamente chamamos ele) nos falou que ele já poderia atender o Chico, tinha formação para isto, formação da técnica para a área pediatrica. Aquele dia foi mágico, o Chico simplesmente com os toques leves dele sujou a fralda toda em questão de minutos, soltou gazes presos e simplesmente capotou, em um sono gostoso e profundo, um imenso alívio.

Como mãe fiquei eufórica e passei a levá-lo mensalmente até o início do seu caminhar com dois anos. Nesta fase o Rafa ajudou muito com os ajustes de cervical, lombar, regiões que ficam prejudicadas pela mobilidade errada da criança no momento do equilíbrio de seus primeiros passos.
Hoje, Chico ama suas idas mais espaçadas no consultório do Rafa e sempre nestes dias ele tem as melhores noites de sono. Além de todos os benefícios no corpo, tem o momento do toque, massagem , gracinhas e risadas nas sessões que ajudam muito no desenvolvimento  cognitivo.
Leiam o artigo que embasa muito a inclusão por meio de uma técnica mágica.

O perigo da rigidez social sobre conceitos de saúde e comportamento

Ao longo da história, muitos dos grandes problemas na área da saúde tiveram suas causas em questões de conceitos e definições. Para explicar melhor, vou usar exemplos exagerados, mas que em sua época pareciam normais, corretos e até muito inteligentes.

Por volta de 1850, um médico americano chamado Samuel A. Cartwright descreveu uma nova doença, a Drapetomania. Segundo o médico, essa doença era a responsável pela “vontade inexplicável de fuga” que acometia os escravos das fazendas. Sim, para a sociedade da época, era estranho e até absurdo que os escravos quisessem fugir.

Não estamos falando do ponto de vista de um único médico, essa doença foi descrita e publicada no New Orleans Medical and Surgical Journal. As causas eram atribuídas aos donos de fazendo que tratavam os escravos como iguais, e não como seres inferiores. Segundo o médico, o tratamento era baseado em punições como chicotadas, etc.

Poucos anos depois, uma doença chamada “histeria feminina” tornou-se um diagnóstico bastante popular. Uma reformulação de uma doença descrita na idade antiga, porém com nova visão. Pela medicina Hipocrática (Hipócrates, o pai da Medicina), a histeria foi descrita como um ativo feminino desejo por sexo e os sintomas relacionados, como lubrificação vaginal, fantasias eróticas, comportamento irracional ou irritável, dentre outros. Nessa época, a causa foi atribuída a um “deslocamento do útero”.

Em sua versão mais moderna, a histeria feminina chegou a ter uma publicação que descrevia os possíveis sintomas em até 75 páginas. Os sintomas incluíam vontade incontrolável de rir ou chorar, insônia, ansiedade, dores de cabeça e a longa lista era uma mistura de diversas condições diferentes.

O tratamento? Massagem no clitóris, realizado pelo médico, até a obtenção do que se chamava de “paroxismo histérico”, que normalmente vinha acompanhado de gemidos, espasmos e até gritos, e era seguido de alívio tanto do “ativo desejo sexual” quanto dos demais, como ansiedade, irritabilidade, etc.

O que a drapetomania e a histeria feminina têm em comum e onde eu quero chegar com isso?

Ainda que se possa observar indícios da SD na arte primitiva, desde milhares de anos antes de Cristo, o primeiro relato sobre a síndrome de Down foi feito pelo médico Harvey Down pouco mais de 10 anos depois do surgimento da drapetomania e do ressurgimento da histeria feminina, em meados do século XIC. Enquanto hoje podemos observar os últimos vestígios desses absurdos preconceituosos que inundaram a sociedade da época, o preconceito contra os portadores de Down ainda é muito intenso, e a desconstrução depende de uma ação sólida dos pais e profissionais da saúde.

Com o passar dos anos, descobrimos muitos detalhes sobre a síndrome, não só técnicos mas também sociais, como por exemplo, que a maioria dos portadores têm plena capacidade de ser integrada às escolas e pré-escolas, desde que haja preparo da instituição nessa integração. Há indícios de que a criança conseguirá desenvolver as habilidades de leitura e escrita de forma muito mais eficiente quando integrada à uma escola comum se comparada com alunos de escolas “especiais”.

Jovens com SD estão superando as dificuldades do ensino superior e mesmo pós-graduações, e muitos conseguem se inserir no mercado de trabalho, o que pode ajudar a combater depressão e ansiedade causadas pela não integração do indivíduo na sociedade. Não só as empresas devem se preparar para acolher o indivíduo, como os familiares precisam confiar e afrouxar as amarras dos medos e preconceitos.

Hoje, com cuidados humanizados e interdisciplinares, as pessoas com SD podem ter uma qualidade de vida muito próxima à de crianças sem a síndrome, desde que cuidadores (pais e profissionais da saúde) e sociedade sejam esclarecidos e desconstruam seus preconceitos. Quem sabe em pouco tempo possamos olhar para as discriminações de hoje com a mesma sensação de absurdo que olhamos para as discriminações dos séculos passados.

  

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1 Comment

  1. Gladys Calazans

    Adorei!! As expressões de tranquilidade do Chico, mostram como ir visitar o Rafa deve ser uma gostosura!!!